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Brigada Extrema #5. Volume 2.

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Edição #05. Volume 2.
Recrutamento. Parte 1.

Por João Norberto da Silva.

Nova York, EUA. A comoção é grande diante de uma das várias Starbucks[1] da cidade. Infelizmente não se trata de uma promoção, ou um novo produto lançado pela cafeteria, mas de um roubo que, por não ter dado certo, se tornou um seqüestro.

-<Muito bem pessoal!!> – Um dos policiais, um negociador, se aproxima da cafeteria, com os braços erguidos e dando algumas voltas, erguendo a camisa para mostrar que não está armado. – <Vou até aí para conversarmos melhor…>[2]

A situação, que já havia se estendido por horas, agora era televisionada por várias emissoras, todos os repórteres, mesmo que jamais admitissem, esperavam alguma ação de verdade e, em seus íntimos, torciam para que as negociações dessem errado. A desgraça vende jornais.

-<Lembrem-se que tudo pode acabar bem, sem feridos… Eu só quero ter certeza de que todos estão bem e…>

Antes de o negociador terminar sua frase, no entanto, como num passe de mágica, um grupo de homens mascarados surgiu diante dele, todos amarrados, com várias armas colocadas no chão ao lado deles, com um bilhete grudado no peito do que havia ficado mais próximo do policial. Este, ao se recuperar do susto, se abaixou e, levado pela curiosidade, pegou o papel e o abriu.

“Os reféns estão presos na cozinha, entrem com cuidado para não ferir nenhum deles, não sobrou nenhum dos seqüestradores lá dentro, portanto podem entrar sossegados, cortesia do Red Bullet.”

-<Sim… Ele passou por aqui…> – Acima da cidade, envolto em nuvens, Freedom Wings passa seu relatório mais recente. -<Como S disse eu consegui pegar o rastro de energia que ele deixa para trás… Vou começar a segui-lo e assim que conseguir ficar cara a cara, farei o recrutamento. Câmbio.>

-<Ok, mas proceda com cautela… Espere eu passar o modo de recrutamento, entendeu?>

Enquanto desliga o comunicador sem esperar uma resposta de seu colega de equipe, S se recosta numa confortável poltrona e, acionando o terminal de computador à sua direita, começa a acompanhar o treinamento dos demais Protetores Americanos.

Enquanto a super forte Lady América mantém erguido o que parece ser toda a fachada de um prédio, Jack Winchester e Deejay, entram no local, onde está havendo algo como uma reunião de diversos tipos de robôs, todos de uma cor verde fluorescente, assim como as paredes ao redor dos mesmos.

A loira larga o que estava segurando, causando um grande estrondo e uma nuvem de poeira, que escondeu os três Protetores por alguns instantes para, logo depois, eles entrarem em combate.

Deejay, como sempre, é a primeira a atacar e pode-se ouvir ao fundo o som das músicas de uma das várias boys bands que ainda tentam fazer algum sucesso nas paradas norte americanas, uma exigência dos patrocinadores da garota. Ao se deixar envolver pela música, ela dispara ondas sonoras que destroem tudo à sua frente.

-<É isso aí! Não mexam com os clássicos!!!!>. – A garota ensaia uns passos das já também manjadas danças das mesmas bandas.

O sempre calado Jack Winchester aponta seus braços contra um outro grupo de robôs e o que poderiam ser chamadas de armas de energia surgem, disparando raios devastadores que destroem vários outros inimigos. Ele abaixa os braços e permanece em silêncio, scaneando o local a procura de novos inimigos.

Já a bela Lady América, caminha como se estivesse numa passarela, joga os longos cabelos loiros para trás e, caprichando em sua melhor expressão sensual, olha para os robôs que sobraram, antes de falar com uma voz ainda mais sensual:

-<Adoro brinquedinhos…>. – E então ela se lança sobre os inimigos, destroçando tudo o que encontrava à sua frente em poucos minutos.

Assim que todos os robôs estavam no chão os três se voltaram para a cabine onde estava S, ele daria a avaliação do exercício:

-<Satisfatório, mas pode melhorar, ainda mais se vocês puderem causar menos estragos à estrutura ao seu redor. Nossos patrocinadores querem heróis, não máquinas de demolição… Mais uma vez. Do começo.>

Os Protetores não esboçam o menor sinal de reprovação pelas palavras duras do outro e simplesmente seguem para o local de fora da fachada, aguardando o sinal para o começo de um novo treino, ao mesmo tempo em que modernas máquinas reparam todo o estrago feito anteriormente.

-<Lembrete mental.> – S começa a falar num aparelho de formato estranho, na verdade um tipo de gravador de voz que os EUA lançarão no mercado em alguns anos. – <O condicionamento mental continua perfeito, mas precisamos acertar os estragos que eles continuam a fazer… Ah! Sim, os vídeos sobrepostos às gravações dos treinos ficam mais perfeitos a cada dia, mostrando o treino de agora como se os espécimes estivessem enfrentando bandidos num armazém que serve de local para o consumo de drogas. Até mesmo as cenas em que a operativa LA destrói os robôs, puderam ser trocadas por cenas dela destruindo os carros dos bandidos. Mais tarde irei passar para a equipe de marketing, para que o vídeo seja devidamente apresentado ao público. Agora vou repassar as imagens feitas dos recrutamentos anteriores, para diminuir as chances de mais estragos no que está por vir.>

Terminada a gravação ele colocou o aparelho de lado e se pôs a observar um telão, onde iria analisar o que havia acontecido durante o recrutamento da jovem agora conhecida como Deejay e, logo após, o da mulher chamada de Lady América, ambas quase um desastre. Os demais foram mais fáceis já que Freedom Wings foi um soldado do exército que se ofereceu para o projeto “Protetores” e o robô Jack Winchester fora trazido da China e fazia parte da tripulação da nave capturada há alguns anos em Roswell.

S bem sabia como as ações de sua equipe poderiam repercutir na mídia internacional, uma vez que a dos EUA estavam sob controle, o risco de uma ação hostil de outros países era cada vez maior e como ele não poderia usar da mesma imagem de “equipe humanitária” dos brasileiros, toda e qualquer ação, mesmo dentro do próprio país, deveria ser executada com ainda mais cuidado.

O tal velocista seria uma adição considerável ao poderio dos Protetores e mesmo se algum outro dos cenários que ele montou em sua mente acontecer, tudo indica que os frutos que ele colherá, serão extremamente bem vindos.

Assim que as imagens começam a aparecer no telão, ele relaxou abrindo um saquinho de MM’s, parecendo extremamente interessado, o que não passava de uma imagem ilusória, no entanto, uma vez que seu cérebro estava em pleno funcionamento, computando todas as informações que chegavam até ele.

XXX

Enquanto isso, na Ilha da Cura, mais precisamente em Antares, o quartel general da Brigada Extrema, Resgate e NanoTron conversavam em particular.

- Entendo… Você percebeu isso em meio ao tiroteio lá no Rio?[3]

- Sim… Como ainda não entendi sua pressa em aceitá-la como membro da equipe, resolvi avisar do estranho comportamento da Mecânica… Espero que eu não tenha cometido nenhum erro.

- Nem… Acredite… Saber que você percebeu essa mágoa na nossa convidada é muito interessante, ainda mais o fato dela ter expressado isso bem na sua frente. Pelo visto ela deve se identificar com você… Por conta de suas origens incomuns… Será que você pode ficar de olho nela? Qualquer outra ação ou reação mais estranha cê pode me procurar… Pode ser?

- Acredito que não há problema em fazer isso… Espero também que o fato de eu ter vindo falar com você não seja mal visto e…

- Que isso cara… – Resgate passou um braço pelo ombro do colega, conduzindo-o para fora da sala onde estavam. – Eu me ferrei por confiar num ET sem pensar direito no que poderia estar rolando… Num vô cometer o mesmo erro… Cê só demonstrou como se preocupa com os demais colegas de equipe… Nada para se culpar cara… Agora vamos indo para a sala de treinos, que eu pedi pro Henrique preparar algo especial hoje…

- É verdade que ele quer criar um codinome?

- Pois é… Agora ele tá com essa frescura. – Os dois riem com gosto, mostrando que a tensão de alguns minutos atrás se dissipara. – Quero só ver o que ele inventou hoje… Bora.

Eles levam poucos minutos até se juntarem ao restante da equipe na sala de treinamento, onde os demais esperavam ouvindo as últimas do já citado Henrique:

- Pô, mas é sério gente… Resgate, NanoTron… São nomes que não entregam os poderes deles… Por isso eu acho que Cérebro Poderoso, ou CP, prá encurtar, poderia ser bem legal… O que vocês acham? Sério heim gente… Parem de rir poxa… Tá bom… Vou começar a simulação… Ainda bolo um codinome bacana… Aí cês vão ver…

Ainda rindo os heróis se preparam quando, no enorme salão onde eles se encontravam, tudo ao redor começa a sumir dando lugar ao que parecia uma ilha tropical. Descendo uma montanha estava uma vila que parecia bem povoada.

- Opa! Beleza chefia!!! Tava a fim de curtir um pouco de mar…

- Tá bom… – Ana, a Batalha cruzava os braços e desdenhava do colega de equipe. – Pô Arthur… Nem parece que cê é o amigo mais velho do Júlio! Claro que vai rolar alguma coisa!

- Com certeza pessoal… Hoje vamos enfrentar um grande problema e…

Sem o menor aviso, uma explosão aconteceu, anunciando que um vulcão próximo entrava em erupção, lançando uma pedra na cabeça do Resgate que, pego de surpresa, caiu pesadamente no chão, desmaiando em seguida, antes que ele pudesse dar qualquer outra informação sobre o exercício.

Os demais heróis da Brigada ficaram paralisados por alguns instantes e o primeiro a falar foi o Visionário.

- Henrique!!! Cancela a sessão!!! O Júlio tá desacordado!!! Henrique!!

- Tem algo errado aqui… Cuidado!!!!!!!

O aviso do Hadnipa Oti fez todos os heróis entrarem em ação, escapando por pouco de uma rocha de magma fervente que foi lançada contra eles. Cruzeiro do Sul, a sala de treinamento, graças à tecnologia extraterrestre do Sam, aliada às últimas descobertas da MegaSoluções e agora a interação com Tyssuir-Zaak, era capaz de simular toda e qualquer situação que fosse necessária, afinal os treinos precisavam ser o mais realistas possível, preparando assim a equipe para o que pudessem ter de enfrentar.

- Merda… – Era o Visionário que agora simplificava a situação em que eles se encontravam numa única palavra. – E agora?!!

XXX

De volta aos EUA, na base secreta dos Protetores Americanos, S continuava a ver as imagens em seu telão, mas sua mente já estava longe dali, passeando pelas possibilidades que se desdobravam diante de seus olhos, enquanto ele assistia ao recrutamento da jovem Deejay.

Jennifer Collins, descendente de imigrantes chineses, é filha única e sempre se interessou por música, pelo menos é o que diz a ficha dela, até onde isso é verdade ou exagero não dá para saber, mas o que chamou a atenção do exército foi a estranha capacidade apresentada pela garota.

Quando atingiu a puberdade, Jennifer passou de freqüentadora a organizadora de vários eventos, principalmente raves e outras típicas festas juvenis. O som era sempre melhor e mais contagiante quando a garota subia no palanque, muitas vezes montado porcamente, ficava atrás das pick-ups e mostrava suas habilidades com as mixagens de músicas antigas e atuais, levando os freqüentadores das festas à loucura.

Durante uma das festas, entretanto, aconteceu algo de diferente, algo que quase custou a vida de vários adolescentes.

Um grupo de rapazes exagerou na dose de bebidas e drogas e o mais velho entre eles, aquele que tomava para si o manto de líder, resolveu que iria ficar com Jennifer de qualquer maneira e passou a assediar a garota durante toda a noite, chegando até mesmo a tentar prendê-la contra uma das paredes da tenda onde ela ia tocar.

Graças às aulas de defesa pessoal pagas pela mãe, Jennifer conseguiu se livrar do perseguidor, ou foi o que ela pensou, pois enquanto ela estava comandando a festa o grupo do rapaz voltou à carga, começando uma briga que logo ocupou toda a tenda.

Tentando em vão falar com os presentes para que se acalmassem, Jennifer ia sentindo um tipo de calor subir pelo seu corpo, se concentrando mais especificamente nas mãos, mas foi quando uma garrafa acertou sua cabeça de raspão que seus poderes finalmente se manifestaram.

Ela estendeu as mãos na direção da multidão e logo todos estavam no chão, tampando os ouvidos por causa do som da música, que aumentou de forma absurda e começou a atingi-los como se fosse algo sólido, além do estrago sonoro. Até hoje alguns dos jovens ainda enfrentam sérios problemas de audição.

Em poucos minutos apenas Jennifer estava de pé, em meio a vários jovens que se contorciam de dor no chão da tenda e, percebendo que fizera algo que não conseguia compreender, ela reagiu como qualquer outro jovem numa situação como aquela, ou seja, fugiu.

Quando a mãe finalmente deu conta do desaparecimento de sua filha e as autoridades foram informadas, a senhora Collins, que manteve apenas seu nome de casada após a morte do marido, nem imaginava que uma de nossas equipes de recrutamento já estava atrás de sua filha.

E foi exatamente a ação amadora dessa equipe que quase afundou de vez o projeto dos Protetores Americanos, antes mesmo de sua implementação, e o que levou o comandante Franklin a chamar S para ingressar em sua equipe.

Os recrutadores haviam cercado Jennifer em uma área de floresta, nos arredores de sua cidade, segundo os relatórios posteriores ela havia feito isso por um costume, ela sempre ia para aquela região quando queria ficar sozinha, colocando seus pensamentos em ordem e isso nunca havia sido tão necessário.

O fato foi que, ao se ver cercada, um dos recrutadores, por falha humana ou de equipamento, isso não foi devidamente apurado até hoje, disparou um dardo tranqüilizante contra a jovem que, ao ser atingida, perdeu novamente o controle de seus poderes e não apenas as pessoas ao seu redor foram mortas, como boa parte da região foi devastada.

Uma equipe secundária de apoio chegou ao local, meia hora depois do evento, que fora explicado como uma explosão por escape de certos gases naturais na região, encontrando apenas Jennifer, caída em posição fetal e totalmente fora de si, um trauma cerebral, possivelmente provocado pelo esforço a que se submeteu.

Ela ficou em um estado de coma induzido, num quarto localizado na instalação secreta que viria a se tornar a base do Protetores Americanos, até que S e seus métodos de condicionamento mental, tornaram seguro despertá-la e integrá-la ao quadro de membros de sua equipe.

Assim que a imagem desapareceu, S continuou a agir como se nada tivesse acontecido, seus olhos ainda mostravam o quanto estava concentrado e é como se seu corpo se movesse de forma mecânica, respondendo a uma ordem pré-programa do Protetor.

Desse modo o CD contendo as imagens do recrutamento da jovem Jennifer foi substituído por outro e imediatamente surgia a imagem da mulher conhecida como Lady América.

-<Do mesmo modo que o programa DJ acabou sendo um sucesso, logo após acontecimentos que poderiam ter resultado em tragédia…> – S gravava suas falas, novamente dando a impressão de estar funcionando “no automático”, o que realmente parecia uma verdade, uma vez que seus olhos voltavam a dar a impressão de estarem distantes do que estava fazendo. -<Assim também foi com o programa LA… O que resultou na necessidade de minha interferência pessoal…>

Continua.

[1] A mais famosa rede de cafeterias dos EUA.
[2] Traduzido do inglês.
[3] Você não perdeu a edição 27 do Resgate, né?

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