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Resgate # 30.

10 de Junho de 2008.

Edifício Janus, sede da Genealfa, uma subsidiária da MegaSoluções S.A., localizada no centro da cidade de Curitiba, por volta da meia noite.

A segurança é excepcional, o que leva o invasor a ter mais certeza de que as coisas estão erradas. Nenhum prédio é tão bem protegido se não tiver muito que esconder.

Ele havia entrado pelo décimo oitavo andar e agora está no décimo primeiro, descendo e vasculhando cada andar para descobrir provas do que lhe foi mostrado dias atrás. Na cobertura, o dono da Genealfa tem um apartamento luxuosíssimo, onde a segurança deveria ser ainda mais rigorosa, por isso ele entrou no andar que, segundo as plantas que conseguira, nada mais era que um amontoado de pequenos escritórios.

O que ele procura, o andar dos computadores, fica no oitavo, para onde ele se dirige.

Num corredor, logo no começo do décimo andar, um grupo de três seguranças anda lado a lado comentando os jogos de futebol do final de semana, eles riem alto, mostrando o quanto estão despreocupados, afinal, quem seria louco de invadir aquele prédio?

Eles se separam, cada um indo numa direção, apenas para cumprir o protocolo noturno, em que cada segurança cobre um espaço e relata se há algo acontecendo, mas depois de muito tempo sem nenhum problema, eles sentem que estão no serviço mais fácil de suas vidas e mal prestam atenção em alguns detalhes, como algo se movendo enquanto eles não estão olhando, o que ele entendem como uma “peça” pregada pela escuridão da noite e o cansaço dos demais bicos que fazem durante o dia. Ajuda também o fato do prédio permanecer às escuras, tendo apenas a iluminação ambiente, provinda das janelas que dão vista para a cidade.

Desse modo, sem encontrar nenhuma resistência, exceto as eletrônicas, que também não conseguem detectá-lo, o invasor continua seu avanço, até que finalmente chega ao oitavo andar, praticamente todo tomado pelos computadores mais modernos que ele já viu. Do contrário dos demais andares, esse ainda é fracamente iluminado, em parte por causa das várias telas que ainda estão ligadas. O invasor solta pequenas névoas da boca, indicando como o ambiente está frio, por conta dos ares-condicionados que permanecem ligados vinte e quatro horas para melhorar o desempenho das máquinas.

As câmeras de segurança são desativadas, mandando para a central dos vigias imagens repetidas, indicando que o andar permanece vazio, assim o invasor pode ficar tranqüilo. Ele desativa seus poderes, senta diante de um terminal de computadores e, após encaixar uma pendrive no local correto, começa a digitar rapidamente.

Os resultados de sua busca surgem na tela e então ele começa a copiá-las para a pendrive, enquanto olha nervosamente para as horas no canto da tela, indicando que seu tempo está próximo do limite, mas, de repente, ele descobre um arquivo extremamente protegido e perde a noção do tempo tentando quebrar o código de proteção.

- Ora, ora, ora… Olha isso Caudilho!… – As luzes do andar são ligadas de repente e o invasor precisa de um tempo para acostumar seus olhos à iluminação e ver direito as duas pessoas que acabam de chegar. – Finalmente vamos ter um pouco de ação irmão!

- Presta atenção sua anta! Olha direito quem é o cara Minuano

O invasor se coloca em pé, pronto para lutar e conseguir tempo, enquanto o download dos arquivos é finalizado, mas tendo sido reconhecido ele tenta apelar para a razão:

- Certo pessoal… Me pegaram… Podemos conversar?

- Foi mal, Resgate… Você pode ser um herói reconhecido e tals, mas nos pagaram prá manter esse lugar em segurança, além do que… Você pode até ser um impostor… Quantos Resgates diferentes a gente viu no “Caçador de heróis”?

- Uns dois, no mínimo…

- Olha gente… Eu sou o mesmo que vocês devem ter visto na televisão… – Resgate então retira sua máscara. – Viu? Sou Júlio e…

- Até isso pode ser forjado… Desculpe, mas precisamos pedir prá ti se entregar e nos acompanhar até a polícia e…

- Desculpem, mas agora eu é que não posso fazer isso e…

- Tudo bem… Você é quem pediu, lembre-se disso! Se segura irmão!

O andar começa a ser sacudido por um vento fortíssimo, provocado pelo rapaz chamado Minuano e, apesar dos protestos de seu irmão, logo as janelas são estilhaçadas, forçando Resgate a se defender.

O herói nunca imaginaria estar fazendo algo como aquilo há alguns dias atrás, quando o Caduceu o chamou em caráter de urgência.

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Edição #30.
Rastejando na Sujeira.

Por João Norberto da Silva.

Edifício Antares, sede da Brigada Extrema, semanas antes do acontecido no presente, logo depois do Resgate encerrar seu treino com o Professor. Na sala de recreação, Visionário e Hadnipa Oti viam televisão, comentando alto sobre o que estava passando, enquanto NanoTron tentava entender a graça no que estavam vendo.

- Algum de vocês viu a Verônica? –Resgate chegava naquele exato instante, querendo conversar com a ex-namorada sobre a decisão de seu sobrinho se chamar Andarilho. – Preciso falar urgente com ela…

- Ó ele aí!!!! O garanhão!!

- Heim? Do que cês tão falando?

- Chega aí meu irmão!!! – Arthur levantou rapidamente e abraçou seu amigo pelo ombro levando-o até o sofá. – Esse é o meu amigão do peito heim galera!

- Ainda não entendi nada… Que que foi agora?

- Hehehehehehe… – Agora era Hadnipa Oti quem falava e cumprimentava o confuso herói. – O cara não é fraco não!!!

- Não olhe para mim… – Buscando uma resposta em NanoTron, Resgate recebe apenas mais confusão. – Até agora não entendi a euforia dos dois com a notícia que…

- Olha lá! Vai passar de novo! – Arthur aumenta o volume da televisão, interrompendo a frase do colega de equipe e então todos ficam quietos.

- Essa não… – Resgate finalmente entendia, quando a garota que ele conhecera e salvara há anos atrás surgia na tela, com uma legenda abaixo da imagem dela que dizia “Ex-BBB escreve livro: Minha história de amor com um herói”. – Cacete…

- Aí, heim? Essa cê nunca me contou Júlio!! Pô! Ela é bem gostosa!

- Caras… Eu… Ela… Nós… Putz! “História de amor”? A gente só ficou junto uma noite! Depois que eu a salvei de um cara e… – A reportagem avançava e então a garota dizia algo que deixou o herói ainda mais confuso. – Pô! Peraí!!! Filho?

- É… Ela falou que cês quase tiveram um filho, mas ela não conseguiu levar a gravidez prá frente… – Apesar do semblante sério do amigo, Arthur não perdia a oportunidade de tirar sarro do amigo. – Putz… Quase virei Tio Arthur!!! Já pensaram nisso? Tenho que arrumar uma namorada logo!

- Cacete… A gente só ficou uma vez e ainda usamos camisinha… – Resgate andava de um lado para o outro, diante dos semblantes sorridentes de dois de seus colegas. – Mais essa agora, como se a vida já não estivesse tão complicada… Saco… Bom, depois falo com o Caduceu, prá ver o que o nosso departamento jurídico pode fazer nesse caso… Vô ajudar não com esse circo que essa pir… Que ela tá armando… Agora eu preciso mesmo é falar urgente com a Verônica…

- Ah, sim… – Arthur fica sério por apenas um instante, antes de voltar à carga, lembrando o amigo de um detalhe importante. – A Vê vai querer muuuuuuito falar contigo agora, depois desse rolo todo…

- Putz… É mesmo… – Resgate resolveu se sentar com os colegas de equipe. – Hum… Alguém aí topa uma partida de vídeo game?

Horas mais tarde, no topo do prédio onde Júlio morava, o herói se mantinha olhando para a cidade, lembrando de todas as vezes que saíra daquele lugar para enfrentar os mais variados tipos de ameaças, mas sentindo que o que ele iria enfrentar agora podia ser sua pior batalha.

- Me diz que você não veio até aqui só prá explicar o rolo com a Ex-BBB… – Verônica apareceu de repente atrás dele e já foi direto ao ponto, mostrando que, além de estar por dentro da nova coqueluche da mídia, não estava nada contente. – Por que se foi por isso…

- Vê, você pode não querer mais ficar comigo, por achar que assim tá decidindo seu próprio futuro e tudo o mais, mas eu não acredito que justo você vai cair nessa mentira… Eu… – As palavras se perdem no ar e os dois ficam apenas se encarando, olhos nos olhos.

Um incômodo minuto se silêncio se seguiu para, logo depois, a garota começar a rir, deixando claro que estava brincando com o ex.

- Claro que eu não acredito naquela piranha… Imagine… Se você estava comigo, até parece que ia procurar alguém de fora… Mas espero que você esteja dando um jeito nisso…

- Claro… Assim que conversarmos eu vou até o apê dela… Uma boa distorção da alma e ela pára com essa aporrinhação… – Agora nem um minuto foi necessário para que os dois começassem a rir. – Ufa… Tava esquecendo como você me faz rir…

- Então… Se você não quer ajuda prá resolver o problema com a sua outra “ex”… Qual é o caso?

O herói então explica sobre o treino que realizou com o Professor e da repentina decisão do sobrinho, de assumir o codinome de Andarilho. Júlio queria falar com a garota para saber se não havia problema, uma vez que ela teve muito mais contato com o filho deles de um futuro alternativo e que também foi um dos motivos do afastamento dos dois.

Ela pensou por alguns momentos e, fazendo isso, fechou os olhos, as lembranças ainda doem, mas ela decidiu que nada mais controlaria seu destino e, de repente, com um Andarilho surgindo no presente, ela percebeu que seu futuro estaria totalmente mudado. Ao menos era uma esperança, mesmo que isso não mudasse sua decisão quanto ao ex-namorado.

- Acho que seria uma boa homenagem ao Andarilho original… – Mesmo tentando se controlar, um leve “tremor” na voz denunciava o quanto aquele assunto era doloroso para a garota. – Afinal ele morreu como herói e, tirando nós e o pessoal que estava presente, ninguém nem imagina quem ele era… Mas o seu sobrinho vai ter que fazer jus ao nome dele heim?

- Cê conhece o moleque… Ele vai fazer sim… Bem… Hã… – Agora era a vez dele parecer desconfortável. – É… Foi bom conversarmos fora da Brigada e… Hã… Acho então que eu vou indo e… Bem… Tenho que falar com ele…

- Certo… Eu… Também tenho que voltar prá casa e… A Ana tá me esperando prá ver um filme e…

Os dois se aproximam para trocar um beijo no rosto, como despedida, mas logo se abraçam, sentem o cheiro um do outro, o que desperta muitas lembranças e, sem aviso nenhum, trocam um longo e apaixonado beijo. Quando finalmente voltam a se olhar, os dois não sabem o que dizer e, desse modo logo vão para a casa do herói, mais especificamente o quarto dele.

- Você sabe… – Entre um beijo e outro, ambos começam a tirar as roupas. – Que isso não é uma reconciliação, né?

- Claro… – Mais beijos e logo os dois estão despidos, indo na direção da cama. – Seria mais como… Uma última “dança”, né? Uma despedida final…

Mais nenhuma palavra precisou ser dita e, na manhã seguinte, Júlio despertou sozinho “Eu sempre tive o sono mais pesado” ele pensou enquanto ainda era capaz de sentir o cheiro dela, que permanecia em sua cama. Quando ligou a televisão, novas notícias sobe a ex-BBB afirmam que a mesma decidiu não lançar mais seu livro e desmentir o “longo romance” que na verdade foram poucas as horas que passaram juntos.

- Putz… Os caras são bons mesmo! – Júlio decidiu ligar para o Caduceu, agradecendo o que os advogados haviam feito. – Alô? Caduceu? Cara… O pessoal do Jurídico é foda heim? Sim… Eu vi as notícias só hoje de manhã… Desde ontem à noite? Hã… Eu tava meio ocupado, nem liguei a tevê… Se eu posso ir até o seu escritório? Urgente? Só o tempo de uma ducha e eu logo tô chegando aí, beleza? Até!

Ele ainda olha para a cama desfeita, o que trás à tona as lembranças, não só da noite anterior, como de todo o tempo em que ele esteve junto com Verônica, mas agora, pelo modo como Caduceu falara, era hora de se concentrar no problema que se avizinhava.

Momentos depois, no escritório do médico, Resgate terminava de ler uma pasta que lhe foi passada por Caduceu, sua incredulidade aumentava a cada linha lida. Aquilo não podia ser verdade.

- Não acredito nisso… Experiências com humanos? Pior ainda… Criminosos? Eu sou o último a defender as ações do Sam… Mas isso? Não dá prá acreditar.

- Eu sei… Claro que… Não querendo defender o Sam, mas ele realmente tinha total controle sobre tudo o que a MegaSoluções S.A. produzia? Estava a par de todos os projetos? Ele podia ser de outro planeta, mas duvido que tivesse plena consciência de tudo o que acontecia na empresa que ele fundou… Ainda mais ocupado como ele estava na luta contra os Espíritos Sombrios… Ou talvez exatamente por isso…

- Saco… Não importa o quanto eu queira, ou me esforce prá deixar tudo isso prá trás, algo relacionado àqueles desgraçados sempre me alcança… E essa tal de Genealfa? Por esses papéis é onde essas experiências aconteceram…

- Mais um motivo para acreditarmos que isso tenha sido feito sem o conhecimento do Sam… Uma subsidiária com sede em Curitiba poderia esconder bem o que estava fazendo, enquanto vocês estavam ocupados… Os papéis que recebi de um importante milionário americano, Thomas H. Gate, no entanto nos colocaria como responsáveis imediatos desse ocorrido… Os executivos da tal Genealfa foram muito espertos encobrindo seus rastros…

- Certo… Estou partindo hoje mesmo…

- Heim? Prá onde?

- Prá onde mais? Vou levar minhas blusas… Afinal, Curitiba deve estar fria por esses dias…

- Eu… Tem certeza? Devo alertar a equipe?

- Melhor não… Depois do novo terremoto na China, que pelo menos dessa vez não aconteceu por causa de nenhum monstro, acho melhor deixar a equipe de prontidão… – O herói se levanta, indo na direção da porta. – Prefiro resolver essa sozinho… Além do mais, quero por à prova o treino com o Professor…

- Tudo bem… De fato é melhor lidarmos com cautela nesse caso… Se isso vier a público sem as devidas provas de inocência da Mega Soluções… Qualquer coisa entre em contato… Enviarei a equipe no mesmo instante.

- Certo e… Hã… Brigadão pela ajuda com a… Você sabe…

- Estamos aqui prá isso, mas… Por favor… Veja bem quem você leva prá cama daqui prá frente tá bom?

- Claro… – As lembranças da noite anterior voltam com tudo à mente do herói, que suspirou profundamente antes de sair da sala, pensando, logo em seguida, sobre o que o esperava em Curitiba.

Com certeza ele nunca imaginaria dois irmãos com poderes, que chamam a si mesmos de Caudilho e Minuano.

- Hã… – Resgate usa seu poder para não ser arrastado pelos fortes ventos que o atingem, deixando atrás de si um enorme rastro de sua característica névoa. – Tem certeza de que seu poder não é algo ligado a limpar a louça?

- Saco… Não tá dando certo Minuano… E eu te avisei, guri, que o pessoal ia tirar sarro desse nome que tu escolheu né?

- Num torra!!! Se ele tá achando isso fraco, vamos ver o que ele acha disso!!!!! Se segura melhor mano!!!!! Vô detonar tudo!!!

Os ventos aumentam ainda mais, forçando o rapaz chamado Caudilho a usar alguns instrumentos, tirados de seu cinto, para se manter preso à uma parede, mas mesmo assim, Resgate não sente nada, mostrando que realmente o treino rendia ótimos resultados.

- Olha pessoal… É óbvio que isso não vai levar a nada, certo? Nós podemos ficar aqui a noite toda desse jeito, ou sentar e conversar… Que tal?

- Não… – Em São Paulo, num escritório localizado numa famosa casa noturna, o dono do lugar acompanhava interessado a luta entre o Resgate e os protetores da Genealfa através de um telão. – Não vão acabar tudo assim tão fácil…

Um botão é acionado e, de repente, um alarme de incêndio começa a soar por todo o prédio, fazendo os vigias noturnos fugirem rapidamente enquanto Resgate percebe que algumas luzes vermelhas, todas nos painéis ao seu redor, começam a piscar ritmicamente.

Mesmo com o vento continuando a ficar mais forte, a ponto de trincar as janelas daquele andar, o Resgate se esforça para que sua névoa alcançasse os dois atacantes, o que ele consegue depois de longos minutos, para desespero dos dois irmãos.

- Ei! O que é isso?!!!!

- Me larga desgra…

O som da explosão abafa os protestos dos dois, assim como desperta vários moradores da redondeza, que se levantaram rapidamente, ganhando as ruas a tempo de ver uma grossa coluna de fumaça se desprendendo do prédio da Genealfa, o que faz com que todos comecem a criar suas versões de explicações para o que estava acontecendo.

- Ataque terrorista?

- Algum monstro como o da China?

- Aquilo era mentira! Vai ver é uma invasão alienígena como a que os americanos evitaram!

Enquanto as pessoas começam a espalhar boatos e o pânico aumenta e se alastra pelo local, de volta a São Paulo, o mesmo homem que detonara os explosivos começa a chamar seus empregados e os coordena na preparação de uma teleconferência. Logo ele está diante de várias telas de LCD e, em cada uma delas, aparecem imagens de pessoas envoltas em sombras.

- Olá meus amigos… Desculpem adiantar o leilão da minha nova tecnologia, mas surgiu uma oportunidade de ouro para uma demonstração e seria idiotice desperdiçá-la. – Os rostos nas telas apenas esboçam grunhidos de desagravo, mostrando o quanto estavam insatisfeitos por terem sido acordados àquela hora. – Bem, seus rostos permanecerão escondidos até o fim do leilão, afinal imagino que ninguém aqui quer ser surpreendido por um mau perdedor correto?

- Certo Caetano… – O silêncio que se segue só é quebrado pela voz conhecida de outro homem, que revela já conhecer o criminoso paulista de outros encontros, ele é Estige o mesmo que, junto com Caetano, havia assistido à luta da dupla Resgate e Procyon contra dois membros do grupo Seven. – Agora o que exatamente irá nos mostrar?

- Sempre sem paciência não é meu amigo? – Com um comando do mouse, o criminoso faz várias janelas surgirem nos computadores dos participantes do leilão, aguardando apenas que os mesmos as abrissem. – Não se preocupem… Não é um vírus, posso assegurar…

As janelas foram abertas com certo receio, mas logo o que elas mostravam surpreendeu a todos, mas não a surpresa que todos esperavam.

- Belas cenas de fumaça…

- O que exatamente deveríamos estar vendo?

- Calma meus colegas… – Percebendo que aquela demora iria servir apenas para aumentar a ansiedade de seus clientes, o criminoso precisava apenas esperar, mas não muito, pois, quando ele apertou um outro botão, escondido em sua escrivaninha, exaustores foram ligados na sede da Genealfa. – Vocês já vão ver…

Conforme o prometido, sem que os criminosos percebessem o que Caetano fez, a fumaça de fato começa a desaparecer, revelando três pessoas envoltas num tipo de névoa branca.

- TômortoTômortoTômortoTômortoTômortoTômorto… – Assim que o Minuano percebe que ainda está respirando, se ergue do chão, onde estava ajoelhado rezando, e tenta assumir uma pose menos humilhante. – Hã… Estamos vivos então?

- Graças… A mim… – Resgate desativa seus poderes, fazendo sua névoa desaparecer, confiando que, por ter salvado a vida dos dois oponentes, estes irão lhe dar ouvidos. – Será que agora podemos conversar?

- Eu acho que sim… – Caudilho se aproxima do invasor, ainda receoso e mantendo as mãos próximas de uma de suas várias armas, que ele traz em seu cinto. – Isso se essa explosão não for obra sua, claro…

- Por que eu ia explodir um prédio depois de ter um baita cuidado de chegar até esse andar sem ser detectado?

Os irmãos ficam em silêncio, tentando pensar numa resposta, mas, não encontrando, esperam que o outro se explique, o que o Resgate faz sem demora.

- Segundo alguns papéis que me foram mostrados há alguns dias, essa empresa, que é filiada à MegaSoluções S.A., está envolvida em operações ilícitas, prá dizer só o básico, por isso vim até aqui para investigar.

- Que tipo de operações?

- Segundo as informações ela é responsável por experiências com seres humanos comuns, visando criar superseres e…

- Mas isso é verdade… – Para surpresa do Resgate, Minuano toma a palavra e revela calmamente que as suspeitas são reais, mas ele continua, mostrando não estar à par de todas as informações que o herói paulista havia recebido. – Como você acha que eu e meu irmão ganhamos nossos poderes? A Genealfa queria duas pessoas para ser símbolo da empresa, mais ou menos como você e a MegaSoluções e…

- As informações que eu tenho é que as experiências são feitas em criminosos… Até vi o perfil de um tal de Gomes, acho que chamam ele de Magrelo ou algo assim…[1] Parece que ele adquiriu poderes elétricos.

- Hum… – Agora Minuano fica na defensiva, se explicando rapidamente. – Nós não somos criminosos… Apenas respondemos ao anúncio que eles puseram na internet, mas desde que entramos prá Genealfa, nunca vimos nada de estranho, né Caudilho?

- Fala por você maninho… Eu sempre te disse que algo aqui não cheirava bem…

- Vocês poderiam me ajudar… A explosão destruiu o DVD que eu estava gravando com os arquivos da empresa…

- Muito blá-blá-blá… – De volta ao Clube Equilibrium, onde se realiza uma teleconferência, um dos convidados do leilão que se iniciará em breve, continua a reclamar. – Se eu quisesse ver uma típica reunião de heróis alugaria algum filme ou compraria uma revista em quadrinhos…

- Meu caro… Acha mesmo que eu não contava com isso? – Caetano pega algo que lembra um pequeno isqueiro e abre uma das pontas, revelando um botão azulado. – O antigo dono da MegaSoluções, o tal Sam, estava tão ocupado com sua batalha contra os tais Espíritos Sombrios, seja lá o que for isso, que não percebeu que uma de suas subsidiárias estava desviando parte de suas pesquisas para criação de superseres, mas que não seriam empregados no que ele esperava. Vou mostrar para vocês que, além dos rapazes que serviriam apenas de fachada, para dar a impressão de que estávamos mesmo interessados em criar heróis, o principal objetivo era criar operativos que seriam vendidos a vocês e suas organizações, afinal, num mundo como o que o nosso está se tornando, cheio de superseres que tendem a lutar contra o “mal”, imagino que capangas também com super poderes podem ser uma importante diferença…

- Interessante discurso… – Era Estige quem toma a palavra. – Mas acho que todos nós sabemos como essas lutas contra heróis acabam… Ou seja, você, ou quem quer que você envie até lá, sendo derrotado.

- Talvez sim, meu caro amigo… Ou podemos ter um resultado que surpreenda a todos… De qualquer forma eu irei mostrar um dos resultados das pesquisas que, tenho certeza, mesmo se não vencer os heróis, será de grande ajuda contra oponentes humanos, como policiais, por exemplo… Claro que, conhecendo o Resgate como eu conheço e tendo me associado no passado com um homem chamado Zork, eu me preparei para o momento em que o herói aparecesse… – Ele aperta o botão azul e, imediatamente, várias paredes de aço saem do teto do andar onde os heróis conversam, prendendo-os.

- Mas que merda é essa?

- O que tu acha maninho? Caímos numa armadilha!

- Eu posso tirar a gente daqui e… AAAAAAAAAAARRRRRRRRRGGGGGGGHHHHHHHH!!!!!!!!!

Antes que qualquer um deles possa esboçar a menor reação, a sala é preenchida com um terrível som estridente e alto demais, forçando-os a cair de joelhos com as mãos sobre os ouvidos. Ao mesmo tempo uma porta se abre, deixando entrar uma enorme silhueta.

“Hora de ver se o treino valeu mesmo a pena” É o que Resgate pensa, antes de começar a se concentrar.

O resultado surpreendeu a todos os envolvidos na teleconferência.

- Como é ruim esse tipo de surpresa não é Caetano?

“Cale-se Estige, seu maldito” Caetano não pode deixar transparecer sua surpresa “Vejamos o que mais ele pode fazer…” E um novo botão é pressionado.

Continua.

[1] Como visto na excelente série Conexão Gate.

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